sábado, 19 de novembro de 2011

Aprender a lidar


Dizem que o tempo cura e nos faz esquecer uma perda.
Discordo completamente!
A meu ver, este apenas é responsável de embaçar tamanha dor.
Dói menos, sofre-se menos, o vazio torna-se estável.
Viver às vezes me parece angustiante. Me é angustiante,ainda mais quando é necessário estar longe dos que amo.
É estranho saber que tudo é passageiro e eu, sinceramente, não sei lidar com tal situação.
Eu tento... tento,tento em vão!
Comumente me pego chorando ou  sofrendo por algo que ainda não aconteceu,porém acontecerá, visto que cada um tem seu prazo de validade e um tempo de permanência já determinado.
Sei que para muitos meu caso é recomendável a um analista.
E QUEM NÃO PRECISA DE UM?
Possivelmente cada indivíduo tem um medo de estimação e admiti-lo é como  assinar um atestado de covardia, fracasso e impotência.
É proibido temer,
É proibido admitir que se tenha algo a temer.
Medo como ópio pessoal trancado na caixa de Pandora a sete chaves.
Denominaria essa sociedade de apática por opção e quase por natureza do século XXI.
A modernidade e seus avanços tecnológicos desajustaram esse homem moderno o fazendo tão racional quanto frio e individual.
Resultado: os que tentam sobreviver a essa selva resguardando seus valores sofrem e sentem-se deslocados do sistema vigente.
Restam-nos apenas poucas saídas:
Ser feliz vivendo a moda do Carpe Diem ou viver  sofrendo a efemeridade que nos cabe.
Optei por ambas opções.
Juntas darão o equilíbrio necessário para uma vida sadia em que viver difere de um tormento.
Sei que terei de aprender a sobreviver  mesmo com percas ou dores ou decepções,faz parte desse show,o espetáculo da vida, aprender a lidar.

sábado, 5 de novembro de 2011


Escrever é ter coragem de com as letras se expressar.
De estar no alvo das críticas daqueles que não sabem
Respeitar a forma de cada um sua arte exalar.
Eu sou adepta do é proibido proibir,
É proibido censurar, é proibido criticar.
Que cada um escreva o que na cabeça vem à pensar!

Nostalgia


Acordei de um jeito que muito me incomoda,
Sentindo aquilo no peito,
Sentimento desconfortável e um bocado doido.
É, de tudo tenho sentido falta.
Daquelas manhãs que encontrava boa parte dos meus queridos amigos sorrindo para me receber,
Daqueles dias em que era certo se aconchegar no colo de minha mãe quando sentia medo,
Dos dias chuvosos em que as lembranças eram divertidas e não me faziam chorar,
Dos dias ensolarados em que podia sentir o calor dos raios de sol em minha face sem a preocupação com inúmeros afazeres,
De dormir sem hora para acordar e poder ver tv sem me preocupar,
De mergulhar na fantasia de um bom conto que minha avó me fazia escutar.
De ser criança e não ter de pensar no futuro, apenas brincar.
O amanhã, para que nele pensar?
Esse pode esperar.
De ser adolescente e sentir a euforia dos momentos que hoje nem são de tanta importância.
De lutar por ideologias que se quer hoje são lembradas.
Perdidas estão em mínimas memórias.
Acima de tudo sinto falta das pessoas se importando umas com as outras,
Amando umas as outras e sendo verdadeiramente amigas umas das outras.
A nostalgia não é algo bom de cultivar no coração quando dele toma conta.
Ser saudosistas nos faz perder o presente.
Mas, como não sentir falta do que aos meus olhos e a minha memória parece tão melhor.
A correria do cotidiano,
A cobrança diária de nós mesmos e a imensa vontade de acumular bens nos afastam da simplicidade de sermos quem realmente queremos ser.
Acima de tudo sinto saudade de um mundo particular- provavelmente ele nunca transcendeu as barreiras de meu imaginário- mundo esse em que você era aceito pelo que era e não pelo que fingia ser,
Em que sorria não para agradar alguém, mas pelo fato de ter tido vontade de sorrir.
Em que era permitido se emocionar com a dor alheia sem ser julgado de piegas.
É, de tudo tenho sentido muita falta!
Falta daqueles que se permitiam sentir e ser feliz!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Quem é ela?


Ela temia dizer adeus!
Ela temia o fim de tudo e qualquer coisa.
A despedida lhe era doída. Definia o até breve como uma pequena pausa no convívio que logo seria retomado, o tchau não lhe causava tanto temor, pois também significava que haveria um novo reencontro. E o adeus… O adeus era fatal, o prenúncio de algo que findara para sempre.
Ela não era infeliz , ao contrário era bondosa e solidária, agradável e alegre.
Assim se definia, pois para a mesma ser planamente feliz não era possível, pois a vida é construída de momentos alegres e na somatória desses momentos a igualdade dessa equação era a felicidade.
Tinha pensamentos incompreensíveis aos outros, não era tão igual, não era tão diferente, era uma menina que transitava pela vida, mas queria ir além de apenas viver, queria ser lembrada por suas idéias e seus futuros feitos.
Via o mundo uma extensão do seu quintal. Almejava conhecer todos os países, ajudar a todos, ler todos os livros dos melhores escritores, ouvir todas as musicas dos melhores compositores, contemplar as mais belas obras de artes e saborear os pratos mais exóticos.
Era exagerada, embora discreta. Sonhadora, embora realista! Não se definia e nem se rotulava. Não era só boa ou só má. Era os dois, afinal somos a abertura de sentidos e nossos sentimentos não são estáveis.
Como chorava!Como sorria!
Como mudava de opinião, como se admirava e amava ser amada.
Nem sempre se achava linda, todavia gostava que a vissem assim. Vivia rodeada de pessoas que a amava e mesmo assim muita das vezes se sentia só, tão só.
Em uma pequena embarcação no meio do oceano à noite, o sentimento que aflorava dentro do peito era a solidão e nem os mais altos gritos seguidos de inúmeros ecos seria por alguém escutado.
Era assim que muita das vezes se sentia.
A liberdade era algo de suma importância e era pouco pra ela.
Tudo isso a tornava especial. Seu nome uma incógnita. Sua forma indefinida. Sua fisionomia embasada. Se olhares para o lado a verá. Se olhares no espelho também.
Ela é quem quer que seja!